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PLACES / ARCHITECTURE / PHOTOGRAPHY

Igreja Matriz de
Estreito.

A brief stop in Estreito became an encounter with an unexpectedly bold piece of modern religious architecture in the Portuguese interior.

Passing through Estreito, in the municipality of Oleiros, I stopped to visit the Igreja Matriz de Estreito, also known as the Church of São João Batista. It was an unexpected encounter with a building that immediately stands apart from its surroundings.

Designed by architect José Pires Branco and built between 1963 and 1970, the church adopts a distinctly modern and sculptural language. Local quartzite from the Serra do Moradal gives the building a strong connection to the landscape, while its geometry, structure and integrated artworks give the space a clear twentieth-century character.

I photographed the church as I usually photograph places encountered along the way — not as an exhaustive architectural record, but through details, light, material and form. What interested me most was the contrast between the weight of the stone and the unexpected modernity of the building within the small village of Estreito.

( PT ) +

Durante uma passagem pela vila do Estreito, no concelho de Oleiros, parei para visitar a Igreja Matriz de Estreito, também conhecida como Igreja de São João Batista. Foi um daqueles encontros não planeados que muitas vezes acontecem durante uma viagem: um edifício que se destaca imediatamente da envolvente e que nos faz parar, observar e tentar compreendê-lo melhor.

Projetada pelo arquiteto José Pires Branco, a igreja foi construída entre 1963 e 1970. Para a época, e sobretudo para uma pequena localidade do interior de Portugal, tratava-se de uma arquitetura particularmente arrojada. Em vez de repetir a linguagem de uma igreja paroquial tradicional, o projeto assume uma abordagem claramente moderna, com uma forte presença escultórica, uma geometria expressiva e uma relação muito direta entre estrutura, material e espaço religioso.

Uma das suas características mais marcantes é a utilização extensiva de quartzito local, proveniente da Serra do Moradal. A pedra, pesada e irregular, estabelece uma forte ligação do edifício ao território, enquanto a composição arquitetónica pertence claramente ao século XX. Este contraste entre um material profundamente ligado ao lugar e uma linguagem arquitetónica moderna foi talvez o que mais me interessou durante a visita.

A arquitetura está também intimamente ligada à arte. A obra do escultor Domingos Gentil Soares Branco integra-se no edifício, destacando-se no exterior o grande baixo-relevo que representa a vida da aldeia e as atividades quotidianas dos seus habitantes. No interior, os vitrais, a escultura e outros elementos artísticos fazem parte da experiência do espaço, em vez de funcionarem apenas como decoração.

Fotografei a igreja como habitualmente fotografo os lugares que encontro pelo caminho: sem procurar fazer um registo arquitetónico exaustivo. Interessou-me sobretudo a relação entre a massa, a pedra, a luz, a geometria e a presença inesperada de um edifício moderno tão expressivo na paisagem do Estreito.