Nazaré Harbour is a place I know well, but it continues to offer new photographs every time I return. It is not only a working harbour or a place where boats come and go; it is also a small landscape of routines, colours, objects and people shaped by a long relationship with the sea.
Walking through the harbour with a camera, my attention moves naturally between the wider scene and small details. Fishing boats, ropes, nets, painted surfaces, equipment, reflections and signs of use create a visual language that is very different from the more familiar images of Nazaré’s beach and cliffs.
What interests me most is the ordinary character of the place. There is no need to search for a dramatic moment. The photographs emerge from observing how things are arranged, how the light changes across the boats and buildings, and how people move through a space that is part workplace, part shelter and part connection to the Atlantic.
This series is therefore a personal visual record rather than a complete description of the harbour — a collection of simple observations made while walking through a familiar place and paying attention to the details that are easy to pass by.
( PT ) +
O Porto de Abrigo da Nazaré é um lugar que conheço bem, mas onde continuo a encontrar novas fotografias sempre que regresso. Não é apenas um porto de trabalho ou um lugar de chegada e partida de embarcações; é também uma pequena paisagem feita de rotinas, cores, objetos e pessoas profundamente ligadas ao mar.
Ao percorrer o porto com a câmara, a atenção passa naturalmente das vistas mais amplas para os pequenos detalhes. Barcos de pesca, cordas, redes, superfícies pintadas, equipamentos, reflexos e marcas de utilização criam uma linguagem visual bastante diferente das imagens mais conhecidas da praia e das arribas da Nazaré.
Interessa-me sobretudo o carácter quotidiano do lugar. Não é necessário procurar um momento extraordinário. As fotografias surgem da observação da forma como os objetos se organizam, da mudança da luz sobre os barcos e edifícios e da presença das pessoas num espaço que é simultaneamente local de trabalho, abrigo e ligação ao Atlântico.
Esta série é, por isso, um registo visual pessoal e não uma descrição completa do porto — um conjunto de observações simples realizadas enquanto caminho por um lugar familiar e presto atenção a detalhes que facilmente poderiam passar despercebidos.